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Ciência
    
21/07/2010 - 09:20
 Astrônomos encontram estrela colossal 


Medindo 256 vezes a massa do Sol, estrela dá pistas sobre início do Universo
A R136 possui uma massa 256 vezes maior que o Sol. É o objeto celeste de maior tamanho e massa já observado.
Cientistas do observatório europeu situado no Chile identificaram estrelas gigantescas, cujo brilho e tamanho vão além do que muitos pesquisadores imaginavam ser possível. A descoberta das estrelas foi anunciada nesta quarta-feira pela equipe do astrônomo Paul Crowther, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra. Eles utilizaram uma combinação de novas observações com dados já registrados pelo telescópio Hubble.   
Uma das estrelas, denominada R136a1, é o objeto celeste de maior tamanho e massa já observado. Crowther explicou que a R136 possui uma massa 256 vezes maior que o Sol. "Se ela tomasse o lugar do Sol em nosso sistema solar, o Sol seria ofuscado na mesma intensidade que o Sol ofusca a Lua hoje", disse o astrônomo à rede britânica BBC.
A equipe de pesquisadores estudou uma região do espaço onde nuvens espessas de gás e poeira estão se misturando e aumentando ainda mais a densidade. Nesses lugares, estrelas gigantes possuem um ciclo de vida curto antes de entrarem em supernova. O grupo encontrou várias estrelas com temperaturas acima dos 40.000 graus centígrados, sete vezes mais quente que o Sol.
Até agora, os corpos celestes mais pesados já encontrados pela ciência possuíam uma massa que seria, no máximo, 150 vezes a do Sol. O novo estudo levanta questões interessantes sobre qual seria o limite máximo para a massa de um corpo.
Os cientistas acreditam que deve existir um ponto em que a pressão de toda a radiação emitida por uma estrela colossal impeça o contato de gás e poeira que viriam na direção dela. Ou seja, é preciso que exista uma barreira física para o crescimento de uma estrela.
Crowther cita também outro fator para limitar o tamanho de um corpo: os recursos disponíveis em seu meio. Pode ser que, no Universo de hoje, não existam lugares com suprimento suficiente de gás e poeira para alimentar estrelas ainda mais massivas.
Porém, as novas observações dão uma ideia fascinante sobre como o Universo pode ter sido em seu início. Muitos objetos na primeira população de estrelas que brilharam pouco depois do Big Bang podem ter sido monstruosas como a R136a1.
"Acreditamos que essa pesquisa aponta para o fato de que estrelas massivas como essa podem ter existido em maior quantidade no início do Universo", concluiu Crowther em entrevista à BBC. Os resultados foram publicados no periódico Montly Notices da Sociedade Astronômica Real, da Inglaterra.
      
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/astronomos-encontram-estrela-colossal
     
Ciência
19/07/2010 - 12:18
    
Corpo Humano
   
Descoberta deixa cientistas mais perto de compreender o sistema imunológico humano
Pesquisadores dos Estados Unidos descobriram como o corpo humano reage a ataques de infecções virais em nível molecular
Uma equipe de bioquímicos identificou o mecanismo molecular que ativa o sistema imunológico quando um vírus ataca. De acordo com Pingwei Li, pesquisador da Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos, isso quer dizer que muitos tratamentos para diversos tipos de vírus podem ser criados — da gripe comum até a hepatite e AIDS. "O trabalho permitiu que entendêssemos como o nosso sistema imunológico reconhece o RNA (código genético) dos vírus em um nível atômico."
Nos últimos anos, a equipe de Li estudou um a enzima chamada "RIG-I" que detecta a presença de RNA estranho no corpo e ativa uma resposta inata da imunidade.
Diferente da resposta adaptativa da imunidade, a inata dá proteção imediata contra infecção. Respostas adaptativas são aprendidas pelo corpo — ou "ensinadas", como no caso de vacinas. Mas a imunidade inata está construída bem dentro da estrutura genética e está pronta para responder assim que uma patogenia invade o hospedeiro.
O sistema imunológico inato pode responder rapidamente contra um vírus completamente novo ou ameaças bacterianas, enquanto o sistema imunológico adaptativo precisa passar por um processo de aprendizagem que pode levar semanas até que seja realmente eficiente. Os dois sistemas agem em conjunto.
Por causa da ligação que existe entre os dois sistemas, aprender como a RIG-I percebe a presença de algum vírus é um passo importante para desenvolver tratamento para milhares de doenças, explicou Li.
Os vírus possuem RNA, que são moléculas parecidas com o DNA, mas com funções diferentes. As moléculas de RNA dos vírus possuem estruturas que não existem no RNA humano. A enzima RIG-I ataca essas estruturas diferenciadas e ativa uma resposta do sistema imunológico estimulando a produção da interferona.
Interferonas são proteínas produzidas e liberadas pelas células infectadas para lutar contra os vírus e as bactérias. Até a pesquisa de Li, não se sabia como a enzima RIG-I ativava as respostas antivirais em nível molecular. Os pesquisadores sabiam que a enzima atacava uma estrutura chamada "Trifosfato-5", que é típica ao RNA. Além disso, sabia-se que uma parte específica do RIG-I se prendia ao RNA viral. "A parte mais importante é 'o domínio C-terminal', um módulo de conexão do RNA capaz de reconhecer RNA de vários tipos diferentes de vírus", explicou Li. O estudo se concentrou apenas nessa parte da RIG-I.
Agora, a equipe está analizando toda a extensão da enzima para entender completamente como a conexão da estrutura com o RNA ativa uma resposta imunológica. "O objetivo final da pesquisa é compreender como o sistema imunológico combate as infecções virais. Os resultados dessa pesquisa vai facilitar o desenvolvimento de muitos reagentes antivirais, anticancerígenos e vacinas mais eficientes", concluiu Li.
      
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/cientistas-mais-perto-de-compreender-o-sistema-imunologico-humano?