Na
Região Norte do Brasil, a
mitologia africana o transformou em um
negrinho que perdeu uma perna lutando
capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também, da cultura africana, o pito, uma espécie de
cachimbo e, da mitologia europeia, herdou o
píleo, um gorrinho vermelho usado pelo lendário
trasgo. Trasgo é um ser encantado do folclore do
norte de Portugal, especialmente da região de
Trás-os-Montes. Rebeldes, de pequena estatura, os trasgos usam gorros vermelhos e possuem poderes sobrenaturais.
"Saci" é oriundo do termo
tupi sa'si
O saci é um negro jovem de uma perna só, portador de uma carapuça sobre a cabeça que lhe concede poderes mágicos. Sobre este último caractere, é de notar-se que, já na
mitologia romana, registrava
Petrônio, no
Satiricon, cujo píleo conferia poderes ao
íncubo e recompensas a quem o capturasse.
Considerado uma figura brincalhona, que se diverte com os animais e pessoas, fazendo pequenas travessuras que criam dificuldades domésticas, ou assustando viajantes noturnos com seus assovios – bastante agudos e impossíveis de serem localizados. Assim é que faz tranças nos cabelos dos animais, depois de deixá-los cansados com correrias; atrapalha o trabalho das cozinheiras, fazendo-as queimar as comidas, ou ainda, colocando sal nos recipientes de açúcar ou vice-versa; ou aos viajantes se perderem nas estradas.
A função desta "divindade" era o controle, sabedoria, e manuseios de tudo que estava relacionado às
plantas medicinais, como guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de
chá, beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas.
Como suas qualidades eram as da farmacopeia, também era atribuído, a ele, o domínio das matas onde guardava estas ervas sagradas, e costumava confundir as pessoas que não pediam a ele a autorização para a coleta destas ervas.
Literatura - O primeiro escritor a se voltar para a figura do saci-pererê foi
Monteiro Lobato, que realizou uma pesquisa entre os leitores do jornal
O Estado de S. Paulo. Com o título de "Mitologia Brasílica – Inquérito sobre o Saci-Pererê", Lobato colheu respostas dos leitores do jornal que narravam as versões do mito, no ano de 1917. O resultado foi a publicação, no ano seguinte, da obra
O Saci-Pererê: resultado de um inquérito, primeiro livro do escritor.
Mais tarde, em 1921, o autor voltaria a recorrer ao personagem, no livro
O Saci, seu segundo trabalho dedicado à
literatura infantil.
Histórias em quadrinhos - O quadrinhista
Ziraldo criou em
1958 a série
Turma do Pererê, em que o Saci contracena com o índio Tininim, a
onça-pintada Galileu e outros personagens. As histórias foram originalmente publicadas na revista
O Cruzeiro
Cinema e Televisão - O primeiro ator a representar o papel foi
Paulo Matozinho, no filme
O Saci, adaptado do livro infantil de Lobato. A produção de 1951 da Brasiliense Filmes foi dirigida por
Rodolfo Nanni.
Na adaptação para a tevê das histórias de Ziraldo, o papel de Pererê coube a
Sílvio Guindane.
Música - Em 1912, o compositor brasileiro
Heitor Villa-Lobos escreveu a
marcha "Saci", quinta parte da sua
suíte para
piano"Petizada" (W048). A composição, assim como as outras da mesma peça, é inspirada no folclore musical brasileiro.
Francisco Mignone também deu o nome de "Saci" à sexta parte dos seus "Estudos Transcendentais" para piano, de 1931.
O maestro
Edmundo Villani-Cortes voltou a lhe dar vida em obras como "Primeira folha do diário do saci" (para piano, 1994), "Terceira folha do diário de um saci" (para
flauta, 1992) e "Sétima folha do diário de um saci" (para
contrabaixo, 1992). Na música popular, a primeira referência ao personagem data de 1909, ano da composição de "Saci-Pererê", de
Chiquinha Gonzaga, gravada pela dupla Os Geraldos. Em 1913, foi a vez de "Saci", uma
polca de J.B. Nascimento gravada pelo Sexteto da Casa.
Gastão Formenti também gravou duas músicas intituladas "Saci-Pererê": uma
toada de
Joubert de Carvalho, em 1918 e uma
canção de J. Aimberê e
Bide, em 1929.
Nas décadas seguintes, outros artistas recorreram ao tema, como Arnaldo Pescuma ("Teu olhar é um Saci", de Cipó Jurandi e Décio Abramo, 1930; Conjunto Tupy ("Saci-Pererê", de J.B. Carvalho, 1932; Mário Genari Filho (a polca "Saci-Pererê", 1948); Zé Pagão & Nhô Rosa ("Saci-Pererê", de Ivani, 1949);
Inhana ("Saci",
baião de Antônio Bruno e Ernesto Ianhaen, 1956); Edir Martins ("Saci-Pererê", marcha de Carlinhos e Galvão, 1957); a dupla Torrinha & Canhotinho (o
cateretê "Saci-Pererê", 1959);
Araci de Almeida ("Saci-Pererê", marcha de Henrique de Almeida e Rubi, 1960); Demetrius ("Rock do Saci", de J. Marascalco e Richard Penniman, 1961); e Clóvis Pereira ("Samba do Saci", de Osvaldo Nunes e Lino Roberto, 1963).
Outras gravações:
Flávio Paiva, "A festa do Saci" (Paiva/Orlângelo Leal, 2007).
Na música instrumental, as principais referências são o violonista
Carlinhos Antunes ("Saci-Pererê", 1996), a banda
Terreno Baldio (Saci-Pererê, 1977),
Guilherme Lamounier ("Saci-Pererê", 1978) e o
Quarteto Pererê ("Polka do Sacy" e "Liberdade Pererê", ambas no álbum "Balaio", 2010)
[17]. O Quarteto Pererê já havia apresentado, em 2005, o espetáculo Saci Armorial, em que fundia a lenda com o universo literário do escritor
pernambucano Ariano Suassuna
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Saci
Segundo a lenda, o Saci está nos redemoinhos de vento e pode ser capturado jogando uma peneira sobre os redemoinhos.
Após a captura, deve-se retirar o capuz da criatura para garantir sua obediência e prendê-lo em uma garrafa.
Diz também a lenda que os Sacis nascem em brotos de bambus, onde vivem sete anos e, após esse tempo, vivem mais setenta e sete para atentar a vida dos humanos e animais, depois morrem e viram um cogumelo venenoso ou uma orelha de pau.