quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Nostalgia

Não sou uma pessoa chorosa, das que vivem a se lamentar - sou chorona, é diferente, pois choro com facilidade quando vejo algo triste ou alegre que me emociona. Por isso, neste momento quero chorar. Vou chorar. Deixe-me chorar! Porque já estou chorando.
Ao assistir "Coisa Mais Linda, Histórias e Casos da Bossa Nova", documentário sobre a Bossa Nova, como o próprio nome sugere, com comentários de Carlos Lyra, Roberto Menescal, Arthur da Távola, Nelson Mota, Miele..., e vídeos de Tom Jobim, Ronaldo Bôscoli, Nara Leão, Vinicius de Moraes, João Gilberto, Lúcio Alves entre outros, e ainda engasgada com a morte do grande ator, Seymour Hoffman (46 anos), há dois dias, minha cabeça começou a girar e o coração a apertar. 
Aqueles que ainda eram jovens quando eu era criança, hoje são jovens senhores da terceira idade ou já morreram. Então, entre a curtição e o deleite de ouvir músicas maravilhosas e rever artista que serei eternamente fã, veio a tristeza do pesar dos que já foram e por encarar que, provavelmente tomarei conhecimento da partida de todos aqueles que foram os precursores da Bossa Nova. Eles estão indo. Mas, eu também estou indo. Todos estão indo, pois na vida tudo passa, nada fica. Esta nostalgia invadiu meu coração, enchendo-me de emoção. Mas apesar da verdade que tudo passa, como toda regra tem exceção, existe outra verdade paradoxal a esta, nesse mundo que tudo passa, algo fica.
As músicas destes que se foram e dos que ainda irão, ficaram e ficarão para várias gerações. Composições com letra, música e arranjo da melhor qualidade, que já me deram e continuarão a me dar tanta alegria, causando sensibilidade, abrindo a mente.
E assim, como a negação de que nem tudo passa, tenho que negar o meu choro, pois deste apenas falei para expressar meu sentimento à flor da pele. Ou não! Talvez eu esteja chorando sem derramar lágrimas no rosto. Talvez as lágrimas mudaram seu percurso e rolaram para meu coração na tentativa de acalentá-lo.
Quanto ao Seymour, me dói ver um homem que, na pré-adolescência da maturidade, no auge de sua carreira, com potencial para atuar com brilhantismo em mais e mais papéis, assim como tantos outros artistas ou desconhecidos, foi envolvido pela força das correntes do vício em drogas pesadas, e sua fraqueza pessoal não lhe permitiu a libertação, o que lhe tirou de cena para sempre.
Todos estes pensamentos ainda me trouxeram à lembrança aqueles que deveriam ser eternos pelo talento profissional, pessoas que nunca conheci pessoalmente mas que chorei (com lágrimas no rosto) quando se foram, pois antecipadamente senti a falta de seus novos trabalhos que nunca aconteceram, como: Elis Regina (minha intérprete favorita), Tom Jobim (o músico mais completo na minha opinião), Renato Russo (um dos meus letristas favorito), Arthur da Távola (que tanto me ensinou sobre música através do seu programa "Quem tem medo de música clássica", sempre terminando com a frase "Música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão.", Michael Jackson (o mais completo da música Pop), Amy Winehouse (com suas músicas e voz como poucas), os que acima citei, e tantos outros.
Após este saudosismo fui dormir feliz. Como não alegrar o coração ao assistir um programa que exibe tanto talento musical!?
BeatrizNapoleão (03/02/14)