sexta-feira, 27 de maio de 2011

Nós de Família

Às vezes penso em falar para meus irmãos o amor que sinto por cada um deles. Alguns eu tenho mais ligação - é natural, temos mais afinidade com aqueles que nos dão mais carinho, atenção e/ou são mais semelhantes a nós, principalmente quando esta semelhança é do que possuímos de positivo, do que gostamos em nós mesmos. Quando a semelhança é com o negativo entendemos o deslize do outro, pois escorregamos no mesmo ponto, mesmo tentando se manter firme. Mas também há aqueles que ainda que sejam um tanto quanto diferentes, o sentimento de bem querer transcende.
Para algumas pessoas as relações familiares são laços frouxos, tão frouxos que se você tropeçar e enganchar a perna num deles, ele é desfeito com a maior facilidade - E em alguns casos nunca mais é refeito. Para outros são laços bem apertados, mas, se você fizer um esforço indesejado eles se desfazem. Para mim, esta relação não é feita de laços, e sim de nós,  nós de marinheiro, aqueles apertados, que ninguém nem nada consegue desfazer - são tão firmes que, não carecem nenhuma vistoria.
Ah! Bendita família! 
E vieram os sobrinhos e sobrinhas, muitos dos quais fazem parte constante da minha vida. E eu adoro isto! 
Os sobrinhos-netos e sobrinhas-netas são uma curtição!
A mais nova é um xodozinho de sobrinha-bisneta!
E chegando mais! Serão bem-vindos e muito amados.
Mas, e os que são agregados, aqueles que vieram de fora, oriundos de outras famílias? Chegaram e passaram a fazer parte deste nosso grupo. Devido os irmãos ou irmãs, sobrinhos ou sobrinhas, são membros da família. E por mérito próprio, com suas particularidades, um por um foi me conquistando.
Agradeço a meus pais por este presente e, principalmente a Deus por hoje estarmos aqui.
Obrigada a cada um de vocês por fazer parte da minha vida!
Beatriz Napoleão (24/12/10)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Bateria do Amor

Se queres que eu continue te amando, não deixe de me amar! Não deixe se quer de demonstrar que me amas, pois o meu amor é carregado com a bateria do teu. Se tua bateria ficar com pouca força, o meu amor enfraquece. Se tua bateria descarregar, meu amor se apaga. Mas, se ela estiver totalmente carregada, meu amor dará sinal a todo o momento e lugar. Nunca estará desligado ou fora de área. Não importa a distância que estejas, se naquele momento a comunicação estiver ruim, haverá no mínimo uma mensagem. Contudo, é natural que com o tempo ele perca a força, mas se ficarmos atentos poderemos recarregá-lo sempre que estiver enfraquecendo.
Beatriz Napoleão (3/5/11)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Lua Cheia

Levantamos voo. Mais uma vez ali estava eu, a olhar pela janela observando tudo se distanciar e ficar para trás. Só a Lua não ficou. Ela nos acompanhou por todo o percurso. Vez por outra brincava e corria sobre os rios ou lagoas. Em outros momentos iluminava flocos de algodão gigantescos, que cobriam tudo que havia lá em baixo. Sobrevoávamos montanhas intermináveis de algodão.
E a Lua "cheia" de alegria a contrariar os exageradamente românticos, que dizem que ela "é" dos namorados, deixando "claro" que não é de ninguém, mas que gosta de chamar atenção direcionando seu holofote para ser observada e apreciada por todos, principalmente por aqueles que têm sensibilidade.
Beatriz Napoleão (16/04/11)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Minha Mãe

Na minha infância e pré-adolescência eu não era chegada a certas comidas. Melhor dizendo, a muitas comidas. Minha mãe só faltava enlouquecer com o trabalho que eu dava a cada refeição.
– Não quero carne, tem gordura!
– Não gosto desse molho!
– Não quero feijão!
– É feijão verde!
– Mas tem maxixe!
O meu pai só piorava a situação para ela. Como não queria me ver chorar, sempre procurava mandar fazer uma comida especialmente para mim. O que significava não ter nada que levasse carne vermelha, feijão, verdura ou legume. No meu cardápio só entrava mariscos, massas, frango ou ovo, leite com chocolate, pão, queijo e frutas. No dia que não tinha o que eu gostava, pedia para tomar um copo de leite com chocolate. Mamãe havia criado 10 filhos comendo tudo, sem direito a reclamar. Mas, éramos dois contra uma, e eu, a caçula, então, mesmo a contragosto ela abriu uma concessão.
Um dia – eu devia ter uns 10 anos –, meu pai estava viajando, e mais uma vez eu não quis o que havia na mesa. Mamãe até tentou não me forçar comer, mas para eu não ficar sem me alimentar, preparou o que ela chamava de “ovo morno” – dizia ser um alimento forte e saudável –, e o que para mim era ovo cru, mal dava tempo da água ferver. Chegou com uma xícara e disse:
– Toma!
Peguei a xícara na mão, olhei o conteúdo, e falei com a voz trêmula:
– Não gosto!
– TOMA! Engole de uma vez só!
Levei a xícara à boca e realmente engoli aquela gororoba o mais rápido que pude. Mas meu estômago não gostou nada daquilo. Na mesma hora mandou de volta. E minha mãe gostou menos ainda do que viu. Pela primeira e única vez em toda minha vida ela me deu uma palmada. Não teve força física naquela palmada, mas a força da reprovação do que eu havia feito, foi forte e doeu muito. Levantei para me lavar e, em seguida fui para o meu quarto chorar. Tranquei a porta e ali fiquei a tarde inteira sem querer vê-la. Aquela situação era nova, nunca havíamos chegado a tanto desentendimento.
Anos depois fiquei adulta, passei a gostar de verduras, legumes e outras comidas que não suportava.
Nunca mais eu e minha mãe tivemos outro desentendimento que chegasse a deixar uma das duas triste. Foi muito amor, respeito e compreensão. Mesmo ela sendo Mãe, não invadia minha particularidade, e eu percebia como ela gostava porque eu agia da mesma maneira. Isso a dava confiança, e ela me fazia confidências. Não tentávamos mudar a outra, podíamos dar conselhos, mas nada de forçar a barra para que fossem aceitos. Não me lembro de sair da casa dela irritada com algo que ela tinha dito ou feito. Também não lembro de tê-la deixado irritada. Gritar uma com a outra? Fora de cogitação. A verdade é que, amávamos tanto a maneira de ser uma da outra que, os defeitos ficavam no fim da fila.
Beatriz Napoleão 

domingo, 8 de maio de 2011

Mãe


Mãe,
Esta palavra transmite: segurança, confiança, conforto.
Esta palavra lembra: carinho, amor, aconchego.
Esta palavra remete: bondade, doação, proteção.







 
Mãe,
Há quem jamais deveria sê-la.
Umas são menos talentosas, mas com algum potencial.
Outras desempenham com maestria sua função.
Beatriz Napoleão

domingo, 1 de maio de 2011

E foram felizes para sempre

(29/04/2011)

Há poucas horas foi celebrado o casamento do príncipe William e Kate Middleton.
Comecei a assistir a transmissão ao vivo antes mesmo da cerimônia. Então me questionei: Por que todo aquele povo passou dias na expectativa do grande momento, e ficou horas na rua esperando a passagem dos noivos e seus convidados, e ali permaneceram, em frente a telões – uns só tinham caixas de som nas proximidades –, que transmitiam da chegada dos convidados à cerimônia religiosa?
Por que eu apesar de ter dormido quase 3h da manhã acordei antes das 6h, para acompanhar pelo menos uma parte desse acontecimento?
Dias antes vi nos telejornais matérias com entrevistas a mulheres de várias idades, e muitas delas aguardavam ansiosas a grande data, para poder ver a realização de um conto de fadas. Algumas se projetavam no lugar de Kate.
E eu, o que me atraia? O fato histórico? A tradição? A pompa? O glamour? Talvez tudo isso e algo mais. Entendi que, naquele momento o que mais mexia comigo era o amor dos noivos. Sentia-me atraída, não pela distância de uma vida de realeza, e sim, por nossa semelhança em relação ao sentimento. Olhava para eles enviando energias positivas, pois percebi como estavam felizes por celebrar o amor naquele ritual de união, chegando intimamente a ignorar o protocolo, e deixando escapar sorrisos contidos em uma cumplicidade silenciosa e delicada.
Pensei na força do amor. O que alguns são capazes de fazer para vivê-lo. Até mesmo se submeter a uma vida controlada, cheia de regras. Invejada apenas por pessoas que pagariam qualquer preço para ser uma celebridade; ou por aquelas que não estão satisfeitas com a própria vida, e se iludem a imaginar que a do “outro” é ótima; ou as que simplesmente fecham os olhos e pensam que príncipes e princesas estão livres de problemas. Fugindo de uma realidade cruel, onde não existe só o lado do bem. Cercadas de maldade, intrigas, injustiças, fracassos, desilusões..., sonham com uma vida longe de tudo isso, retrocedem à infância se valendo do: “E foram felizes para sempre”. Desconhecendo que essa felicidade vem do amor, e esse sentimento é desprovido de discriminação: Não vê idade; sexo; raça; nacionalidade; situação social ou econômica; seja o que for. Quando ele acontece para os que sabem usufruí-lo sem egoísmo, imposição, ciúme, ou qualquer outro sentimento que o afasta, esses saberão o que é felicidade conjunta e duradoura. Jamais se sentirão presos, e sim, unidos e fortificados.
Beatriz Napoleão