quarta-feira, 30 de julho de 2014

A Cultura da "Bala"


Em Fortaleza, num certo meio social o dinheiro tem um valor negativo. Dinheiro é bem-vindo, mas, quando é usado com a intensão de "comprar" pessoas, status..., ele passa a ser perigoso.
A maioria dos homens que frequenta esse meio acha que o bom é ter "bala", pois entre outras, as mulheres querem os homens que a tem. E realmente, há um punhado delas, entretanto, para querer um homem com esse pensamento só mesmo uma mulher semelhante a ele, mas, há de se ter cuidado, pois é arriscado confiar nesses tipos.
Fico a pensar que, esses homens necessitam mesmo ter uma mulher que tenha esse perfil, para que saia falando do ter, do "poder" que os pertence, exibindo suas aquisições, se não, de que vale ser rico se não houver o exibicionismo?
Homens assim não apreciam as mulheres que não veem a riqueza como algo fundamental (para a surpresa de muitos, essas não são uma espécie em extinção, apenas não são vistas com frequência nesse meio, por não conseguirem ter paciência de conviver com pessoas desse tipo).
Mulher que se preza gosta mesmo é de homem com atitude, de caráter, educado, inteligente, instruído, bem humorado e, lógico, que não viva "debaixo de uma ponte". Se for muito rico, que saiba como usufruir do seu patrimônio.
Dinheiro nas mãos dos fúteis é desperdício e, nas mãos dos arrogantes, prepotentes, chega a ser uma arma perigosa. Acho que é por isso que o chamam assim, "bala".
Quem precisa de bala é revólver, não mulher. Mulher precisa é de respeito, amor, harmonia e estabilidade e, gosta de carinho, companheirismo e cumplicidade. Se houver muito dinheiro que não venha atrapalhar o relacionamento, caso seja um entrave, melhor não tê-lo em excesso, o necessário é suficiente.
BeatrizNapoleão

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Cinco Dias, Três Vezes Adeus (Ubaldo, Alves e Suassuna)

Fiquei triste com a saída do Neymar na Copa, mais ainda com a derrota do Brasil quando a Alemanha, merecidamente ganhou de 7x1. O que eu não poderia prever é que, em pouco tempo essa tristeza se transformaria em algo tão insignificante comparada à que me abateu nestes últimos cinco dias.
O futebol já trouxe e com certeza ainda trará muita alegria para o povo brasileiro. Nossa Seleção é pentacampeã mundial. Alguns craques da bola já morreram, outros se aposentaram, mais outros estão na ativa, e quantos ainda irão crescer ou nascer, pois o Brasil parece ter essa capacidade de ininterruptamente produzir talentosos jogadores de futebol. É habitual estarmos entre os melhores do mundo, tanto que, quando chegamos a ser o quarto melhor a tristeza toma conta do País. 
Os dias passaram, e o fato é que a vida continua e essa derrota não deixou um mal maior na população, até porque daqui a quatro anos estaremos novamente tentando o hexa.
Mas agora... como é diferente! Nem daqui a quatro anos, nem nunca mais teremos outros romances, poesias, crônicas, contos... escritos por eles. Em menos de uma semana perdemos três craques das letras, craques do pensamento, homens que contribuíam para o crescimento intelectual daqueles que os conheciam, fosse pessoalmente ou através de seus livros; publicações em jornais, revistas; palestras ou entrevistas. Agora sim, perdemos e muito. Só não perdemos mais porque suas obras sempre estarão a disposição a quem interessar. Três grandes homens de uma simplicidade encantadora.
Para nossa sorte, apesar do ocorrido, ainda temos excelentes escritores que continuarão contribuindo para um Brasil mais pensante, consequentemente, mais atuante.
Esses dias tenho escutado vozes, uma bem grave e a outra com um sotaque pernambucano - as duas são bem-humoradas. Na maioria das vezes não consigo entender as palavras, mas o som permanece repetidamente. Não! Não há fantasmas por aqui, é simplesmente meu interior lutando contra o luto. 

João Ubaldo Ribeiro - 23 de janeiro de 1941, Itaparica-Bahia - Morreu, 18/07/14 - 73 anos, no Rio de Janeiro, vítima de embolia pulmonar.

Formado em direito, mestre em Administração e Ciência Política pela Universidade da California do Sul (EUA), membro da Academia Brasileira de Letras. Foi escritor, jornalista, roteirista e professor, colaborador de diversos jornais e revistas no Brasil e no exterior. Autor de mais de 20 livros, publicados em 16 países. Algumas de suas obras foram adaptadas para a televisão, cinema e teatro. Foi ganhador da maior premiação para autores da língua portuguesa em 2008 - Prêmio Camões e, de dois prêmios Jabuti, em 1972 e 1984, Melhor Autor e Melhor Romance do Ano, pelos romances "Sargento Getúlio" e "Viva o povo brasileiro" (que virou samba-enredo pela escola de samba Império da Tijuca em 1987), entre outros prêmios. Seu livro "A Casa dos Budas Ditosos" narrado por uma mulher de 68 anos, relatando sua vida sexual, causou polêmica, no teatro teve a interpretação de Fernanda Torres.

"É que tem gente que deixa o mundo melhor, né? Tem gente que abre o riso e o tempo. No meio de tanta bobagem, tanto desgosto, tanto ranço, tanta empáfia, tem gente que faz a vida mais simples em toda a sua complexidade."

"Tem gente que inventa que a vida vai ser mais simples e mais bonita e interessante e ai dela se não for. Gente que transforma seu tempo em graça e inteligência só porque existe."

"E, olha, tem tanta lembrança sua por aqui que a saudade que já existe quase não vai aporrinhar tanto. É que tem gente que nasce, vive e não morre nunca mais."

 

Rubem Alves - 15 de setembro de 1933, Boa Esperança-Minas Gerais - Morreu, 19/07/14 - 80 anos, em Campanas-SP, vítima de falência múltipla de órgãos. Deu entrada no hospital dia 10 de julho, com quadro de insuficiência respiratória devido a uma pneumonia.

Um dos intelectuais mais respeitados do Brasil. Pedagogo, Mestre em Teologia, Doutor em Filosofia pelo Seminário Teológico de Princenton (EUA), psicanalista, acadêmico, cronista, poeta e autor de livros infantis. Com mais de 160 títulos publicados, distribuídos em 12 países, diversos textos em jornais e revistas. 

"A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar."

"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."

"Aprenda a gostar, mas gostar mesmo, das coisas que deve fazer e das pessoas que o cercam. Em pouco tempo descobrirá que a vida é muito boa e que você é uma pessoa querida por todos."

"Eu achava que religião não era para garantir o céu, depois da morte, mas para tornar esse mundo melhor, enquanto estamos vivos."

 

Ariano Suassuna - 16 de junho de 1927, João Pessoa-Paraíba - Morreu 23/07/14 - 87 anos, em Recife-PE, vítima de uma parada cardíaca provocada pela hipertensão intracraniana.

Dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta. Foi Secretário de Cultura de Pernambuco entre 1994 e 1998, e Secretário de Assessoria do governador Eduardo Campos até abril de 2014.
Idealizador do Movimento Armorial e autor de obras como "Auto da Compadecida", "O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta". Um dos maiores defensores da cultura nordestina do Brasil.

"Os doidos perderam tudo, menos a razão. Têm uma (razão) particular. Os mentirosos são parecidos com os escritores que, inconformados com a realidade, inventam outras."

"Acredito que toda arte é local, antes de ser regional, mas, se prestar, será contemporânea e universal."

"Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."

"Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança."

  
Por BeatrizNapoleão

domingo, 20 de julho de 2014

Dia do Amigo

Pai amigo
Mãe amiga
Filho(a) amigo(a)
Irmão(ã) amigo(a)
Sobrinho(a) amigo(a)
Primo(a) amigo(a)
Cunhado(a) amigo(a)
Genro amigo
Nora amiga
Há os(as) que não têm nosso sangue, nunca foram membros da família, mas entram em nossa vida criando uma familiaridade tão prazerosa como se dela (família) fosse. Só entende isso quem tem uma vida familiar amigável, unida.
Entre outras coisas, amigo é aquele que nos permite sermos nós mesmos, mesmo que desgoste e reclame de nossas chatices; sabe apontar nossos deslizes para que tentemos ser pessoas melhores.
Para convivermos com um amigo tem que haver sinceridade, mas nunca grosserias - essas são suportadas quando exceção, não regra.
Grandes amigos se conhecem a fundo e sentem-se bem em suas companhias. 
Tenho bons amigos que moram distantes, mas não cobramos um do outro quando demoramos a nos comunicar. Sabemos que não há geografia nem tempo que diminua nosso bem querer, e sempre que precisarmos de um ombro confiável é só chamar.
Quem liga para as diferenças quando há tolerância e respeito mútuo?
Amigo é um dos requisitos em nossa vida que mais contribui para a nossa felicidade.
Obrigada a todos meus queridos amigos! Vocês dão colorido e sabor à minha vida.
BeatrizNapoleão