sábado, 24 de março de 2012

Joias Sem Valor

E cada vez que ele escorregava e a magoava se redimia comprando uma bela joia. Quanto maior o deslise, maior era o valor da compra. Ela fechava os olhos para o ocorrido e ficava a admirar aquela beleza. E o brilho do seu presente ofuscava a sua dor, de tal maneira que ela mesma não a enxergava.
Um certo dia, quando sua mocidade já havia partido, ela se viu em frente de todos aqueles objetos que já não tinham mais valor algum - não para ela, que tinha uma vida estável e confortável. Então, pensou: - Para que serviu tanta vaidade a exibir uma beleza luxuosa em meu corpo? O bom mesmo era não ter sido comprada, e sim, amada com respeito, inteiramente e com intensidade. Até gostaria de ter essas joias, mas como lembranças por comemorações de cada ano ou momento de amor. Que o valor delas fosse por representarem a união e a felicidade, não, um valor material que traz tristes lembranças de situações que ela adoraria não ter passado e gostaria imensamente de esquecer, mas, estão cravadas em cada pedra, cada metal, cada designer.
Agora essas joias doem em suas mãos, causam um peso insuportável em seu corpo e deixam seus olhos em poças.
Beatriz Napoleão