quarta-feira, 23 de maio de 2012

Tenho Pressa!

Já não gostava de muitos programas de televisão. Já não gostava de umas tantas músicas de sucesso efêmero. Já não gostava de assistir uns tipos de filmes. Já não gostava da futilidade de certas conversas. Já não gostava de brincadeiras sem graça, que só é engraçada para quem as faz. Já não gostava de um determinado tipo de gente. Já não gostava de tantas coisas...
Não que eu seja uma pessoa difícil de gostar, pelo contrário! Gosto muito de muitas coisas. E é por isso mesmo que me incomodo tanto em perder tempo com o que para mim é feio ou desagradável. Tanta coisa boa para ver, ouvir, assistir, ler, sentir, fazer, VIVER! Por que perder meu precioso tempo com o que para mim é inútil?

E depois que entrei nos 50 anos, passei a ficar irritada com essas "diversões invertidas", o que chamarei de agora em diante de coisas "indivertidas".

Cada vez que estou vivendo indivertidas, deixo de viver tantas coisas maravilhosas... Há programas de TV divertidos sem que me deixe imbecilizada, outros educativos, outros culturais. Há tantos livros que me dão lição de vida, me fazem questionar, crescer, aprender. Há músicas que me deixam tão calma que me sinto levitando - uma paz semelhante a de uma oração -, outras aceleram meu coração a mil por hora, como uma paixão, e me transmitem uma felicidade como a tal. Há filmes que me fazem viver milhares de vidas e lugares, ou simplesmente sorrir. Há brincadeiras que todos se divertem e me deixam tão descontraída que chego a esquecer que tenho algum problema. Há pessoas que podem ser cultas ou analfabetas, ricas ou pobres, mas têm sabedoria, têm bom senso, bom coração, sabem ser verdadeiras, dão valor à amizade, sabem respeitar o próximo.

Tenho pressa, pois, não sei quando vou partir e, ainda que eu viva mais 53 anos, por mais que eu corra, por mais que eu tente preencher meu tempo com tudo que eu gosto, morrerei sem conhecer, aprender e viver tudo que gostaria. Então, decidi que não irei desperdiçar meu tempo com o que não gosto.
Beatriz Napoleão

*Minha inspiração para escrever este texto surgiu enquanto eu escutava 
The Piano Guys - Steven Nelson (violoncelo) e Jon Schmidt (piano)