domingo, 20 de outubro de 2013

De olho no espelho


Sim, gosto de me dar bom dia de frente ao espelho!
Não para ver a beleza que algumas pessoas me atribuem (por questão de gosto ou gentileza), ela não aparece ali defronte a mim. A beleza que vejo é a vida, a satisfação, a simpatia - sim, isso eu vejo, simpatia, e isso me deixa mais simpática, pois correspondo esse ato com outro sorriso. Vejo através de uma mulher de 54 anos (ignorando suas suaves rugas) a mesma jovem de 18, pois, penetro no meu ser ao olhar para os meus próprios olhos. Não mudei quase nada em certos aspectos (em outros existem mudanças significativas), continuo sendo calma na maioria das situações, mesmo assim, permaneço inquieta, pensando mil coisas ao mesmo tempo, procurando o novo sem desprezar o antigo, gostando de aprender, valorizando e curtindo o que aprendo, amando muito a maioria das pessoas que me cercam, algumas nem tanto, umas poucas, preferindo manter distância. Vejo porque sinto, sinto o que sou, e sou o que mostro. Ainda que não mostre tudo de mim, sou o que alguém possa ver.
Sim, gosto de me ver no espelho, porque gosto de mim, e me vejo bem. Mas quando não estou bem, quando algo me abate e perco meu sorriso, vou ao espelho para alertar a urgência de uma mudança. Nesse momento posso não gostar do que vejo, mas, nada melhor do que falar a verdade olhando olho no olho. Aquela que está acostumada a me ver sorrindo protesta em argumentos convincentes, na ânsia de reverter a minha tristeza. Debatemos duramente, eu, na defesa a justificar o motivo do meu pesar, ela, a me provocar com questionamentos que me levem a uma solução, ou pelo menos ao planejamento dessa. Diz verdades que podem me machucar, mas me ajudam a reagir, mesmo que não seja uma reação momentânea, contudo, longe do espelho essas verdades me fazem "refletir" o que ouvi da mulher refletida a minha frente. E sei que, por mais duras que sejam suas palavras, ela só quer me ver sorrindo novamente.
BeatrizNapoleão