sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Vida Continua

Por que nossos entes queridos se vão?!
Mesmo sabendo o porque nossos corações sempre irão reclamar.
Sabemos que chegamos com hora marcada para partir. Mas não temos a hora, nem data, nem local, nem mesmo qual será o instrumento que irá nos tirar deste mundo. Aprendemos que é certo esse rompimento: Ou deixamos todos, ou alguns nos deixam.
Então, por que permitimos o envolvimento, se sabemos que um dia a cruel dor chegará?
Porque, pior que essa dor que nos deixa sem controle; que nos faz pensar que nada mais nos dará prazer ou alegria; essa dor que nos tira as cores; a leveza; o sorriso; que nos traz a tempestade; o terremoto; sacode nosso interior até nos deixar desnorteados, com o ouvido no silêncio; a boca que se cala; os olhos que não mais vêem, e erroneamente achamos que  o coração ficou com um espaço vazio, e nesse momento esse vazio fica maior que qualquer espaço preenchido dentro dele. Até porque nosso subconsciente entra em pânico a imaginar que, um dia muitos outros compartimentos do coração estejam desocupados. Nessa hora bate o pessimismo e vem o pensamento que, todos os inquilinos que ali residem, partirão para bem longe.
Pior que essa dor, esse vazio momentâneo é o eterno vazio de não amar, a frieza da falta de sentimento. Quem um dia chora essa tristeza, é porque esse alguém lhe deu incontáveis momentos de alegria. Então dia a dia, ao chorar essa ausência, vem as boas lembranças que aumentam nosso pranto. Passamos intermináveis momentos de tristeza, até percebermos que aquele lugar tão especial dentro de nós não ficou nem ficará vazio, pois, podemos não ter mais a presença física, mas o sentimento de bem querer jamais nos abandonará.
Com isso, juntamente com a eterna saudade, percebemos que voltamos a ouvir, a falar, a ver, pois guardamos aquela dor num lugar secreto e, - mesmo que, possivelmente de tempos em tempos ela consiga sair do seu lugar, embora enfraquecida, e volte a nos machucar -, conseguimos resgatar a felicidade. Com um coração cheio de boas lembranças e aberto para amar os que ainda estão por vir.
Beatriz Napoleão (23/10/10)