sábado, 30 de julho de 2011

Fugindo das lembranças

Eu não sei o que tua partida quebrou em mim. Ou, quem sabe eu vi os cacos que ficaram por dentro e consegui uma bela restauração!
                      
Talvez tenha quebrado minha adolescência. A partir daquela despedida me senti adulta.
                     
E para não me machucar fui deixando pelo caminho dos meus anos muitas lembranças de ti, que hoje sinto falta e lamento não ter, por escolher abandoná-las. O que vivi foi bom demais para eu suportar o peso do que se tornou inexistente. Lamento o que não lembro, mas penso que não foi tão má escolha, pois hoje, não sinto o peso da tua falta, sinto tua falta com leveza. Até porque, as lembranças que tenho, aquelas que se enraizaram e não permitiram ficar para trás, me deixam com um sorriso no rosto.  
                    
Neste momento paro tudo e vou até minha cama para virar bunda canastra. É que me deu uma vontade louca de fazer isso. Adoro! Poderia dizer que o motivo seja esta lembrança que está sendo aguçada. Mas não posso afirmar isto, pois é comum quando meu corpo sente necessidade de se exercitar eu ter este tipo de impulso (estou horas escrevendo). Prova que algo foi quebrado em mim. Hoje minha filha é adulta, e eu ainda tenho hábitos que trago da infância – quem sabe, consequência da restauração. Mas eu não quero mudar isso! É muito bom ter idade de uma “senhora” e nunca deixar os “bons” costumes da juventude. Só preciso ter cuidado para saber quando e onde posso executá-los. Se bem que, com o passar dos anos logo não poderei mais fazer algumas dessas “brincadeiras”.
                         
É engraçado! Com a maturidade vamos diminuindo a força física. Mas, obtemos cada vez mais a força espiritual.
Beatriz Napoleão