quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Efeito da Violência

Eu estava ali, passando por aquela calçada que andei anos e anos em boa parte de minha infância e adolescência ao ir para o colégio.
Naquele instante vivenciei um acontecimento semelhante ao que ocorreu por volta dos meus 11 anos; um dia ao ir para a aula, pouco antes das 7h da manhã, a rua deserta, há dois quarteirões antes do colégio, avistei um cachorro do porte de um pastor alemão que se encontrava na calçada a qual eu transitava. Passei por ele quase sem respirar na tentativa de não ser percebida, mas, senti que estava sendo seguida. Atravessei a rua passando para o outro quarteirão do lado que ficava a parte detrás do Colégio Batista, ainda teria que andar mais 100m e dobrar a direita para chegar ao portão de entrada. Tinha conhecimento que era pior correr, pois isso instiga um animal a atacar, então optei por passos pouco apressados, mas, firmes, procurando disfarçar o medo. Meu coração acelerando mais que meu caminhar ao escutar o cachorro com suas passadas na mesma cadência que as minhas e a respiração ofegante, que soava aos meus ouvidos em tom sussurrantemente assustador como: - Vou te pegar! Vou te pegar! Vou te pegar! Eu visualizava aquela língua de fora entre as arcadas brancas, aproximando-se de mim, mais e mais! Até que num breve momento senti a pontada de uns dentes em meu tornozelo. Parei repentinamente tesa, e gritei! Dei graças a Deus a rua estar deserta, pois, ao olhar para trás vi que, o cachorro nem por um momento havia me seguido, continuara seu percurso na calçada oposta, quase sumindo de vista.
O que o medo é capaz de criar!? Lutei contra esse tipo de medo até conseguir superá-lo. Por sorte no final da adolescência já tinha adquirido segurança, não permitindo que nenhuma insegurança me dominasse.
Nesta tarde, ao passar pela mesma calçada – novamente a rua deserta, apesar de não haver mais espaço para nenhum carro estacionar –, não era mais o cachorro que me seguia, e sim, uma moto. Ouvia aquele som crescendo forte e rapidamente. - E se a moto parar ao meu lado? Então lembrei o que vivenciei na infância, e o que ocorreu no final do ano passado: próximo à minha casa fui assaltada à mão armada por  dois homens numa moto; um permaneceu ao volante e o que desceu "pediu delicadamente" meu celular: - Se não quiser levar um tiro na cabeça passa o celular! Com aquela voz de quem não tem tempo a perder.
Hoje vi-me novamente entregue a imaginação negativa, controlada pela força do medo de quem já esteve vulnerável. Então, resolvi enfrentar a situação; olhei determinada para trás; desta vez a moto passou sem sequer perceber minha presença.
Infelizmente, já não sou tão segura quanto na adolescência; o barulho de motor em duas rodas me deixa mais insegura que latidos em quatro patas.
BeatrizNapoleão (16/05/11)